segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Amarante
Parece que agora eu meu peguei apaixonada pela guitarra do som que gritava pelas telas grandes no apartamento pequeno. Me peguei apaixonada... Por um par de tênis que incomodava as mães – sujinho. Agora senti o frio que vem da espinha, passa pela garganta e sai no beijo. Ui! Quase o beijei... Em pensamentos frios que abandonam minha noite pelo simples suspiro de um bom dia. Já passou! Ufa! Agora sinto o que sempre senti. Chega de ousadias melosas ou ouvidos queridos com vozes fascinantes. Vou me concentrar. Amo-te como melodias.
esmalte
vou sentar ali no sofá, que hoje leva uma manta amarela para tampar o frio (que frio?), e pintar as unhas. acho que de petróleo.
talvez roxo...
não sei ainda.
talvez roxo...
não sei ainda.
Conceitos Patricianos
Agora os peixes têm línguas.
As formigas gritam por açúcar.
Porcos sobem nas paredes do desejo que descobriram no aquário.
Peixes seguem nos armários com as pernas que tiraram das formigas.
Estas, coitadas... viveram na espera inconstante do doce dos dias, amor dos delírios, paixão pelas bocas e suspiro pelos homens. Todos.
As formigas gritam por açúcar.
Porcos sobem nas paredes do desejo que descobriram no aquário.
Peixes seguem nos armários com as pernas que tiraram das formigas.
Estas, coitadas... viveram na espera inconstante do doce dos dias, amor dos delírios, paixão pelas bocas e suspiro pelos homens. Todos.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Jonny?
Descobri, numa noite escura de quarta-feira, perto das 22h10, que a sessão das 22h é pontual. Nem um minuto a mais e o filme começa.
Em cartaz: Meu nome não é Jonny. Filme negro, brasileiro. Do começo ao fim.
Instigante. Retrô. Óculos quadrados. Família. Fotográfico. Colorido. Pornográfico. Maconha. “Ó a larica deles!”, Pati comenta. Enrosco. Temporário. Drogas. Pesado. Dolorido. Sofrido. Quase troco o canal... Morte. Loucura. Oito schnauzer!??! Todo mundo “chêra”. Denso. A tiazinha vende pó, que isso!? Massa!
p.s.: bolacha Negrito e leite quente com toddy
Na época o cigarro ainda era liberado em ambientes fechados. Polícia “chêra”. Coitado do Nelinho... estudou tanto!!! “Se quiser eu faço um gato aí, rapidinho”. “Tu qué morrê, xará?”. O primeiro “cliente” não quis... o segundo desistiu... Que putaria esta porra de polícia! Gente estranha, coisa esquisita. Mudou de ramo: agora é cantor! Como assim? “Minha pernoquinha roliça” Suspense. Muita loucura!! Parece que vou entrar no filme. Não está muito agradável.
No momento prefiro o silêncio dos grilos.
“É o seguinte, amigão, fala em números comigo”.
Bom? Não! Excelente!!!
Em cartaz: Meu nome não é Jonny. Filme negro, brasileiro. Do começo ao fim.
Instigante. Retrô. Óculos quadrados. Família. Fotográfico. Colorido. Pornográfico. Maconha. “Ó a larica deles!”, Pati comenta. Enrosco. Temporário. Drogas. Pesado. Dolorido. Sofrido. Quase troco o canal... Morte. Loucura. Oito schnauzer!??! Todo mundo “chêra”. Denso. A tiazinha vende pó, que isso!? Massa!
p.s.: bolacha Negrito e leite quente com toddy
Na época o cigarro ainda era liberado em ambientes fechados. Polícia “chêra”. Coitado do Nelinho... estudou tanto!!! “Se quiser eu faço um gato aí, rapidinho”. “Tu qué morrê, xará?”. O primeiro “cliente” não quis... o segundo desistiu... Que putaria esta porra de polícia! Gente estranha, coisa esquisita. Mudou de ramo: agora é cantor! Como assim? “Minha pernoquinha roliça” Suspense. Muita loucura!! Parece que vou entrar no filme. Não está muito agradável.
No momento prefiro o silêncio dos grilos.
“É o seguinte, amigão, fala em números comigo”.
Bom? Não! Excelente!!!
O céu está na moda!

Hoje ele quis embasbacar qualquer bobo e fazer babar qualquer boca.
Hoje ele saiu pra cair queixos e tropeçar pés.
Hoje foi o dia mais belo de todos os outros dias perto das seis horas da tarde.
Sabe lá, bem no horizonte distante dos dedos? Pois lá estava ele!
Todo inchado e cheio de graça... Fazia era rir os lábios dos sérios terrestres! Fazia de um todo! Estava, literalmente, radiante.
Ele se vestiu de acordo com os mandamentos dos mais impressionantes nomes da moda mundial.
Ele vestiu roxo, lilás, rosa forte quase vermelho...
Ele vestiu a moda! Estava na moda.
Chamou tanto a atenção dos homens que logo se foi...
Envergonhado de sua beleza que mais parecia coisa de outro mundo.
O sol hoje subiu para descer inimaginável na sua maravilha radiosa.
O sol estava puramente desenhado pelas mãos de algum mestre muito talentoso.
Quem será o dono do sol?
E imaginar que nós, pobres e coitados felizes mortais, esperamos grandes vitórias em fortes reuniões e esquecemos de olhar para o distante tão próximo que temos: o céu.
E hoje... Meu filho! Ele tirou o dia (de tardezinha, quase noite... ) para brilhar estonteamente!
Era como eu sonhava!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Um anel no dedo
Mais tarde que o horário normal. Mais cedo que o querido. Em cima da hora para o atrasado.
Lendo o jornal não consigo me concentrar, pois os pensamentos estão voando pelo cérebro cozido. Cansado. Esmagado pelo turbilhão de afazeres domésticos e luzes solares.
As notícias não estão mais prendendo meus olhares e fico só imaginando como seria assim, como seria assado. Sempre tentando reformular o que alguém ganhou para fazer!
Minha esposa ganha bem. Dá pra tirar uns cruzados no final do mês que sustenta sua beleza e consumismo por anéis. Enlouquecida por anéis. Tamanhos, cores, formatos. Os regionais são os que chamam mais atenção! A minha atenção...
Querendo ou não eu também quase sou um colecionador de anéis, pois ando pelas entranhas alheias procurando algo novo. Sempre na espreita.
Na caixinha de madeira feita pelo avô, ela guarda, em saquinhos de veludo, todos os aros da sua vida. Inclusive a aliança – com medo de perder. Caixa forrada de cetim claro e brilhante, com leve música aos ouvidos quando é despertada. Uma bailarina aparece na pose pronta para sua apresentação do dia! E nesta pose ela fica, fica, fica, fica, fica... Está sempre apta a despertar meus olhos, chamar minha atenção e entreabrir meus lábios. Deve ter uns três andares com pequenas separações intercaladas e cuidadosamente embrulhadas com o rico tecido.
Ai de mim se, em uma destas andanças por países criteriosos, não trouxer uma jóia! A esposa sente tanto que deixa de sentir amor por mim. Já passei por isto antes... já senti como é ficar sem sentimento.
Assim, a primeira obrigação do meu dia longe de casa é procurar pela boutique famosa e trazer um presente.
Certa vez, na cidade de Seramangápio, país desconhecido, onde nem água havia para banhar, fiquei perdido por pensar que enfeites para os dedos seriam ainda mais raros. De um lado a outro da cidade e nada. Nadinha de pitibiriba! Foi então que a senhora que cochilava na janela da pequena casa de esquina abanou a mão esquerda para mim e, de longe, a única coisa que meus olhos avistaram foi o anel de pérolas. Duas dobras de pérolas ricas que reluziam até ferir a vista! Fui de encontro, tentei puxar papo, a senhora nada. Ofereci moeda e mais moeda, a senhora nada. Estava sem escapatórias. Tive que levar o anel para casa.
Lendo o jornal não consigo me concentrar, pois os pensamentos estão voando pelo cérebro cozido. Cansado. Esmagado pelo turbilhão de afazeres domésticos e luzes solares.
As notícias não estão mais prendendo meus olhares e fico só imaginando como seria assim, como seria assado. Sempre tentando reformular o que alguém ganhou para fazer!
Minha esposa ganha bem. Dá pra tirar uns cruzados no final do mês que sustenta sua beleza e consumismo por anéis. Enlouquecida por anéis. Tamanhos, cores, formatos. Os regionais são os que chamam mais atenção! A minha atenção...
Querendo ou não eu também quase sou um colecionador de anéis, pois ando pelas entranhas alheias procurando algo novo. Sempre na espreita.
Na caixinha de madeira feita pelo avô, ela guarda, em saquinhos de veludo, todos os aros da sua vida. Inclusive a aliança – com medo de perder. Caixa forrada de cetim claro e brilhante, com leve música aos ouvidos quando é despertada. Uma bailarina aparece na pose pronta para sua apresentação do dia! E nesta pose ela fica, fica, fica, fica, fica... Está sempre apta a despertar meus olhos, chamar minha atenção e entreabrir meus lábios. Deve ter uns três andares com pequenas separações intercaladas e cuidadosamente embrulhadas com o rico tecido.
Ai de mim se, em uma destas andanças por países criteriosos, não trouxer uma jóia! A esposa sente tanto que deixa de sentir amor por mim. Já passei por isto antes... já senti como é ficar sem sentimento.
Assim, a primeira obrigação do meu dia longe de casa é procurar pela boutique famosa e trazer um presente.
Certa vez, na cidade de Seramangápio, país desconhecido, onde nem água havia para banhar, fiquei perdido por pensar que enfeites para os dedos seriam ainda mais raros. De um lado a outro da cidade e nada. Nadinha de pitibiriba! Foi então que a senhora que cochilava na janela da pequena casa de esquina abanou a mão esquerda para mim e, de longe, a única coisa que meus olhos avistaram foi o anel de pérolas. Duas dobras de pérolas ricas que reluziam até ferir a vista! Fui de encontro, tentei puxar papo, a senhora nada. Ofereci moeda e mais moeda, a senhora nada. Estava sem escapatórias. Tive que levar o anel para casa.
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