domingo, 27 de maio de 2012


Parei um minuto. Para pensar.
Parecia que há tempos Maria não me dizia o que já disse em dois dias. Estava fora do mundo, fora de cogitação, digitando tudo errado, sem pensar. Sem parar.
E agora eu, Maria, parei para pensar em mim e nos meus miolos. Tenho vários! E muitos são podres. Muitos são ignorantes. Outros tantos nem conto. Nem somo, mas também não substraio.



segunda-feira, 19 de abril de 2010

roda baiana!

A baiana roda pelas rodas até se cansar e sentar-se à sombra do velho e grande pé de jabuticaba. Na Bahia tem pé de jabuticaba, meu rei?!
Jabuticabas pretinhas, como ela... jabuticabas doces, como os seus sorrisos... jabuticabas redondas, como sua saia cheia de pregas e pragas que arrasta camaradas na curiosidade desta beleza rica e incontida.
Roda, baiana! Sem pressa e com presas!
Roda, baiana com toda sua graça enfeitada para animar os sons das ventanias!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Personagem da solidão


Ele chora.
Enxuga as lágrimas ralas na manga do casaco bem surrado do frio que já passou pelos longos e amargos solitários 92 anos de vida mineira.
Nada de muitos netos, apenas Fernando Henrique - moço alto, bonito, olhos claros e cabelos fartos. Formado em alguma das engenharias e moço de salário imperial. Neto só mesmo no papel e sobrenome atuante que carrega - talvez a única herança que seu avô, o personagem da solidão, deixara para a eternidade dos descendentes.
Natal com a esposa era ainda farto de presentes pequenos, perus gordos e pinheiro verde do quintal. Nesta fábula dos dias passados as sequências de fatos ainda impressionavam os pequenos parentes.
Foi então que o capital, assim como veio, se foi. E junto dele, a família navegou rumo outros mares estrangeiros para aportar nos vizinhos europeus. De lá o personagem da solidão tem apenas ciência que estão todos bem. Bem de vida!
Para ele, ainda aqui no Brasil de brasileiros, restou a casa com telhados escuros e ralos quando o frio baixa, o quintal agora sem pinheiros, uma aposentadoria por invalidez mesquinha (típica) e o casaco para enxugar as lágrimas.
Quantos idosos hoje vivem na escuridão das suas recordações cheia de cores?

terça-feira, 23 de março de 2010

Minas e suas montanhas

Em resposta, vos digo caro amigo:

O que Minas tem é o que seu cantinho amado também tem. Nada demais, nem nada de menos.
Apenas lembranças tão saudosas que teimam em sempre persistir nas memórias embalsamadas. É isto: embalsamei minhas memórias para que durem a eternidade necessária!
Sei lá até quando ainda terei assunto para relatar o que passou e ainda saudar o que vai chegar.
É assim mesmo! Gostamos de lembrar o bom vivido! Ainda mais quando estas lembranças são acompanhadas de cheiros, cores, cachorros soltos pela casa grande, céu tão azul que reluz na água do açude! E tem também as histórias de bois e vacas brabas correndo atrás de crianças inocentes e sem medo.
Veja lá, no fundo da sua cachola, o que tem para ser contado de algum canto que gostas muito e vai descobrir pormenores gigantes!
Saudades que parecem não acabar!
E quando as belezas visuais falam mais alto que as vistas hoje em dia o coração bate pertado... pertadinho...
A saída? Relatar o que ele sente!
É por isto que falar de Minas é fácil e constante assim...!

segunda-feira, 22 de março de 2010

As últimas do dia!

Nem bem o dia terminou e já vem Maria com seus pensamentos cheios de bolhinhas flutuantes como vulcão em erupção!
Nem bem a meia noite de hoje chegou e ela vem trazendo os mandantes das onze horas de amanhã cedo. Que cedo que nada! Amanhã é dia de Maria levar na cabeça a roupa suja de Dr. Frederico para lavar nas cochas. Suas pernas fortes seguram, agarram e limpam até certas sujeiras incômodas muitas vezes. Mas é a profissão e assim como qualquer outra brasileira meramente ilustrada com sorriso forçado e força de vontade, vai às lutas primárias, secundárias e totalitárias.
Ela não para! Não deixa seu moinho parar de rodar com o fluxo das águas do ribeirão que corta as campinas e moi a mandioca até virar farinha.
Já é tarde demais e agora ela quase abre as mãos para derrubar no chão o trabalho suado do dia. Mas segura firme - tem que agarrar o sebo agora não mais fedido.